História
Início
Até o início da década de 60, a companhia Vale do Rio Doce tinha pelo menos de seis agremiações esportivas a ela ligadas. Algumas disputavam os campeonatos de futebol profissional com os outros clubes e, como o esforço da empresa precisava ser dividido por todas, terminavam sendo equipes pequenas.
Já em 1960 a vontade de transformar todas as seis agremiações em uma única era muito forte entre os dirigentes de fundir tudo, isso acabou sendo feito no dia 17 de julho de 1963, quando foi oficialmente fundado o clube Desportiva Ferroviária com a fusão de A.A. Vale do Rio Doce, Ferroviário S.C., Cauê, E.C. Guarany, A.E. Valeriodoce e Cruzeiro F.C..
Antes, porém da data de fundação do novo clube, um longo e exaustivo trabalho precisou ser feito para que os associados e dirigentes dos antigos aceitassem a existência da Desportiva Ferroviária ao preço do fim de suas agremiações. O ponto principal da questão a ser discutida era a manutenção dos direitos dos associados dos seis clubes no que seria criado.
O Engenheiro Eliezer Batista da Silva, então Superintendente do Departamento da Estrada da CVRD, resolveu por intermédio da portaria interna número 19/59, de 18 de setembro de 1959, nomear uma comissão constituída por João Linhares ( engenheiro), Arthur Dias Pimenta ( advogado), José Ribeiro Martins ( engenheiro), Pérsio Nascimento ( chefe do serviço) e José Vicente Farias ( economista) para estudar a fórmula capaz de atender aos interesses de todos “sem quaisquer prejuízos aos direitos das agremiações e de seus associados”, como explicava o documento, e criar o clube que uniria todos.
Em 07 de novembro de 1959 a comissão, cumprindo determinações recebidas da Superintendência encaminhava a ela a conclusão de seus estudos, dizendo que o clube único poderia ser criado “sem criar posições privilegiadas”, através da manutenção de um tratamento igualitário para todos os na época existentes.
Mas entre a conclusão dos trabalhos, datada de 07 de novembro de 1959, e a efetiva fundação da Desportiva Ferroviária ainda se passaria quatro anos. Apesar das conclusões otimistas que a comissão tivera e do desejo da maioria de criar um novo clube, as áreas de atrito continuavam existindo, porque alguns setores não concordavam em abrir mão de bandeira, hinos, a tradição, enfim.
Só mesmo no dia 02 de janeiro de 1963, através de carta interna de código SP 70.5 – F11, a Superintendência da CVRD nomeou, como ela mesma dizia em seu documento, “o Sr. Lino dos Santos Gomes para, dentro do espírito da semente lançada, continuar como coordenador da pretendida fusão, concedendo poderes àquele senhor para manter entendimentos com os responsáveis pelos seis clubes, visando encontrar um denominador comum”.
Efetivamente, esse denominador comum foi encontrado, e na noite de 17 de junho de 1963, seis meses depois, deixavam de existir as seis agremiações filiadas à CVRD, e era criado oficialmente a Desportiva Ferroviária. A reunião que marcou o surgimento da Desportiva, e que os ferroviários chamam de “histórica”, aconteceu no auditório do Sindicato dos Ferroviários da Vale, sob a presidência do advogado José Leal Pessoa, também indicado pela empresa para cuidar do caso. Representantes de muitos clubes compareceram à reunião.
Embora solene, o encontro que decidiu a criação da Desportiva não foi dos mais calmos. Segundo o pessoal que o acompanhou, as discussões atingiram a madrugada, e o voto decisivo de um clube suburbano dos seis existentes decidiu a questão. A reunião já havia sido suspensa duas vezes por causa de discussões mais acaloradas, até que o presidente do Ferroviário, Waldomiro Pereira Lima, trouxe o desempate. Estava encerrado o primeiro capítulo da vida do clube dos ferroviários.
Mas isso não foi tudo. Todo o patrimônio dos extintos clubes teve de ser retirado das antigas sedes. Um caminhão da Vale foi fazendo essa retirada, ajudado por outros veículos. Houve de tudo. Até mesmo cenas de choro de dirigentes e torcedores, inconformados como fato de ver suas agremiações deixarem de existir. O Cauê, por exemplo, o charmoso clube localizado na Praia de Santa Helena, era o “filet mignon”entre os demais.
A vida da Desportiva, daí para frente, foi marcada por um crescimento vertiginoso. Ela, logo de início, possuía 20 mil funcionários da CVRD lotados em Vitória e nos municípios vizinhos pagando contribuições na qualidade de associados, além de 50 mil dependentes. Isso tudo, contando também as pessoas que trabalhavam ao longo do serviço de apoio à estrada de Ferro Vitória a Minas.
De saída o clube foi ganhando títulos. Passou a ser, no primeiro ano de existência, um adversário duro para o Rio Branco e o Vitória, o que serviu para dar mais calor às disputas regionais.E ajudado pela CVRD, que o dirigia do Edifício Fábio Ruschi, ao lado da Praça Pio XII, o clube conseguiu construir em Jardim América inicialmente uma sede social e, posteriormente, um estádio que, mesmo sendo de porte apenas médio, conseguiu ser o maior do Estado quando foi, enfim, terminado. Esse estádio, bem como toda a área ocupada com a sede social e esportiva da Desportiva, era pertencente à Vale. A Desportiva o utiliza em regime de comodato. Somente em 1977, com a privatização da empresa, tudo foi passado para o nome da agremiação esportiva, no dia em que ela completava 34 anos.
A primeira diretoria da Desportiva Ferroviária foi formada por João Carlos F. Linhares, presidente de honra; José Coradini, presidente executivo; Ludgero César Sarcinelli Garcia, vice-presidente; Lino Santos Gomes, assessor; além de mais 33 pessoas, todas estas com funções subalternas.
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Criação da Desportiva Capixaba S/A
Em janeiro de 1999 iniciou negociação com a empresa Villa-Forte & Oliveira Empreendimentos Ltda., com objetivo de firmar sociedade, atendendo assim a legislação recém criada lei 1621 que previa no artigoxx a transformação dos clubes em clube empresa.
Foram diversas reuniões, sendo que a Desportiva Ferroviária criou uma comissão para negociar a criação da nova sociedade, composta de cinco representante, Edvaldo Rocha Leite, Jordenir de Paula, Galileu Viana, Theotonio Barcellos e João Marcos. Por parte da Villa-Forte & Oliveira, participaram Marcelo Villa-Forte Oliveira e Orlando Dias.
Decidiu-se pela criação de uma nova empresa que recebeu a denominação de Desportiva Capixaba S/A, recebendo como patrimônio o Estádio Engenheiro Alencar de Araripe e a denominação esportiva “Desportiva”.
No dia 19 de maio de 1999 foi assinado o contrato social da Desportiva Capixaba S/A, passando o futebol a existir nesse novo clube.
Foi criado novo escudo e novo hino, em virtude do desejo da Desportiva Ferroviária em manter seu escudo e hino no seu clube social.
A primeira diretoria da Desportiva Capixaba foi formada por Marcelo Villa-Forte de Oliveira – Presidente, Edvaldo Rocha Leite – Vice Presidente e Orlando Dias – Vice Presidente.
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Resultados
Estadual
No campo de futebol, a Desportiva foi campeã estadual em 1964, 1965, 1967, 1972(invicta), 1974, 1979, 1980, 1981, 1984, 1986, 1992, 1994, 1996 e 2000. Além disso foi campeã da cidade em 1966 e 1968 ( invicta). Também conseguiu os vice-campeonatos do Estado em 1966 e 1968, e os vice-campeonatos da Cida em 1964, 1965, 1967 e 1971.
Nos juvenis, o clube ainda conseguiu o título de campeão em 1964, 1966,1968 ( invicto), 1969, 1970, 1971, 1972 (pentacampeão), 1978, 1979, 1982, 1984, 1985, 1987, 1988, 1990, 1991, 1994 e 1996. Também foi campeão da Taça Rio, em 1995, vencendo o Fluminense na final por 1X0, gol marcado na prorrogação.
Nacional
Participou do Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão quando era disputado com 80 clubes em 1974, 1975, 1976, 1977, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1985 e 1993, obtendo seu melhor resultado em 1980 quando terminou em décimo quinto lugar.
Participou do Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão em 1989, 1991, 1992, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, tendo obtido seu melhor resultado em 1994 quando foi eliminado pelo Goiás na semifinal e em 1998 quando terminou em terceiro lugar, sendo superada pelo Botafogo de Riberão Preto e pelo Gama.
Participou do Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão em 1995 e 2003.
Participou da Taça Brasil em 1965, 1966 e 1968, da Taça de Prata em 1984 e inúmeras vezes da Copa do Brasil.
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